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O Paradoxo

Contrastes e Provações no Caminho da Sabedoria

 
Augusto de Lima
 
 
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Nota dos Editores:
 
Há uma tensão criadora  entre o eu superior e o eu inferior,
isto é,  entre a intenção divina e as possibilidades terrestres.
Esta contradição, inevitável,  produz os numerosos testes
e provações que todo aprendiz enfrenta no  caminho do
autoconhecimento.  Por isso Helena P. Blavatsky escreveu:
 
“O paradoxo parece ser a linguagem natural do
Ocultismo. Mais do que isso,  ele  parece penetrar profundamente
no coração das coisas, e assim parece ser inseparável de qualquer
tentativa de colocar em palavras a verdade, a realidade
que está na base das aparências externas da vida.”  [1]
 
No poema a seguir, Augusto de Lima  investiga esta luta
entre os extremos e a necessidade de Equilíbrio enquanto se
percorre o caminho estreito e íngreme que leva à sabedoria eterna.
 
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O Paradoxo
 
 
Quem pôde jamais dizer-me
com certeza donde vim,
se sou simplesmente um verme,
ou se Deus está em mim?
 
 
Mistério! a vida eu a sinto
como um fluido incandescente
nas veias; porém não minto
dizendo que a acho excelente...
Mata-me o tédio do mundo
e nisto encontro prazer
Como Hamlet meditabundo,
agito o “ser e não ser”.
 
 
Sou uma antítese viva,
talvez um sonho do caos,
extrato que Javé ou Shiva
fez dos gênios bons e maus.
 
 
Contrastes me não surpreendem:
fascina-me o Bem; o Mal
tem atrações que me prendem
dentro de um fosso fatal.
 
 
A metafísica nunca
fez coisas tão encontradas:
sou rico, e habito a espelunca,
choro, dando gargalhadas.
 
 
Às vezes, até duvido
se sou, e me palpo então,
e no vivo peito ardido
sinto da Morte a canção.
 
 
É que ardem no paraíso
infernos, engana o amor,
o lábio mente e o sorriso
é uma paródia da dor.
 
 
NOTA:
 
[1]  “O Grande Paradoxo”, texto de HPB publicado pela primeira vez em 1887. Traduzido de “Collected Writings of H.P. Blavatsky”, TPH, India/USA, volume VIII, pp. 125-129.  Título original: “The Great Paradox”. O artigo pode ser encontrado na seção “Helena Blavatsky” de www.FilosofiaEsoterica.com
 
 
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O poema acima foi reproduzido do volume “Poesias”, Augusto de Lima, Editora H. Garnier, Rio de Janeiro / Paris, 1909, 300 pp., ver pp. 64-65. A ortografia foi atualizada.
 
Outros poemas do poeta mineiro Augusto de Lima estão publicados neste website.  Veja “Augusto de Lima” na Lista de Textos por Autor, e examine a edição de outubro de 2007 do boletim eletrônico “O Teosofista”, cujo ícone pode ser encontrado na página de abertura do site. 
 
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